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Enquete

Qual a sua opinião sobre as igrejas que pregam a Teologia da Prosperidade?
 
Endereço:
Rua da Mangueira, nº17
Nazaré, CEP:40040-400
Salvador - Bahia

Telefones:
(71) 3243-5858
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Encontrei uma porta entreaberta no meio do nada, quase entrei por ela. Seus gonzos se descalibravam ao mantê-la assim e gemiam. Seu aspecto intrigante e perturbador petrificou-me.

Ela parecia divisar mais que algo, talvez o tudo. Desejei me achegar e não pude, não me restaram forças. Grande expectação envolvia a emblemática atmosfera; dali não se poderia voltar. O convite era evidente e dramático era o seu apelo, uma conjunção existencial se instalara.

Não havia dúvidas, eu teria que decidir. Recompus-me; cerrei os dentes; degluti. Abri os olhos, ergui a fronte, resolvi. De repente, discerni que não estava só; ao meu lado postavam-se firmes e graves o talvez e o senão, mas não lhes atendi os rogos. Não que não quisesse, mas força maior me atraía. No limiar da dúvida prevaleceu a fé e em lugar do medo, que fugiu, fulgiu a esperança. Com ela também veio a certeza de que nada seria como antes; um tempo novo; não necessariamente bom, mas diferente.

Cheguei ao portal, bateu-me excitado o coração, não pude olhar para trás; senti-me saudoso e como que perdendo algo. Doeu. Ouvi vozes, muitas, chamavam o meu nome, mas já não podia atendê-las. Fortes bombas explodiram no meu coração, pude ouvi-las, intensa guerra se travou dentro de mim. Por frações de segundo, nomes e rostos amigos, como raios, explodiram em minha memória, desencadeando uma avalanche sentimental inenarrável; eram meus filhos que por mim choravam. Parei. Eternos segundos se passaram, mas era preciso seguir. Não consegui dar passos, mas apenas pés; pé-ante-pé, densos, movimentos lentos e mui pesados. Arrastei-me até poder chegar ao ponto de enxergar o outro lado.

Estendi a mão lentamente e toquei a porta; pressionei-a e era extremamente pesada, ou eu é que estava fraco, ou a minha íntima vontade abatia o que me restava de força. Abriu-se, afinal. Vi-me diante do novo, do desconhecido, do diferente. Não havia vozes conhecidas nem rostos familiares; aliás, não havia nada, pelo menos aos meus olhos. Temi. Olhei em todas as direções em busca de algo em que me segurar, mas não havia; nem mesmo sob os pés encontrei qualquer coisa. Em pânico, olhei para trás, mas a porta já se havia fechado. Então, olhei para cima e vi, claramente, Jesus sorrindo e me estendendo a mão. Sumiram todos os meus temores.

Pr. Itamar Bezerra